ARTIGOS MARÇO 2016

Síndrome do ImpostorSÍNDROME DO IMPOSTOR

Tão comum na vida agitada e globalizada que estamos inseridos, a síndrome do impostor caracteriza-se por pessoas que não acreditam em seu próprío sucesso, desconfiando de sua própria capacidade e intelecto e acreditando que qualquer sucesso que tenha obtido na vida, tenha sido fruto da sorte ou simplesmente porque possui uma rede de relacionamentos onde o sujeito é tido como carismático. 


Afetando todos os tipos de perfis, gêneros e idades, a síndrome do impostor tem presença marcante na vida daqueles que possuem muitos talentos, porém o sujeito que sofre dessa síndrome possui uma tendência de não considerar que resultados positivos sejam retorno dos seus esforços, se sentindo como se tal sucesso tivesse sido adquirido através de alguma farsa e que ele não é merecedor de absolutamente nada daquele sucesso, portando vive com constante medo de se expor, repudiando elogios, afinal a pessoa tem receio que descubram sua farsa.


É comum que pessoas com este perfil tendem a se desvalorizar, assumindo um papel que não as pertence, se subestimando e por outro lado valorizando os pontos fortes de outras pessoas, fazendo comparações e sempre se colocando na posição de desvantagens, desconhecendo completamente todos os seus talentos.


Com receio que pessoas ao seu redor descubram que ele é uma farsa ou uma fraude, normalmente quem sofre dessa síndrome possui um perfil com atitudes que podem ser entendidas como arrogância ou ao contrário, possui um comportamento extremamento carismático e simpático.


São pessoas com ótimos desenvolvimentos, excelentes idéias e também resultados completamente satisfatórios, porém elas não acreditam em sua própria capacidade, preferindo abrir mão do sucesso do ter que se expor e correr o risco de ser descoberto. Estes sentimentos são tão presentes na vida de quem sofre dessa síndrome do impostor, que se torna um círculo vicioso, a ponto de que o próprio sujeito não consiga identificar tais comportamentos, afinal ele acredita que realmente é uma fraude. Dessa forma, faz com que o diagnóstico possa acontecer bem depois que se tenha iniciado o processo psicológico, pois o paciente não costuma trazer tais questões sobre a síndrome do impostor já no início das sessões.


Perfis com síndrome do impostor quando expostos em alguma situação de desempenho, tendem a apresentar dois tipos de comportamentos completamente contraditórios, são eles:


- Workaholic: não literalmente da forma como estamos acostumados a conhecer ou ouvir falar sobre perfis workaholics, porém uma pessoa acometida pela síndrome do impostor, quando solicitado que seu desempenho seja colocado em prática, tende a adotar uma postura onde trabalha em excesso. Tal postura ocorre por dois motivos que prefiro considerá-los de "fugas", caso a função a ser desenvolvidade não tenha tanto sucesso, não será por falta de esforço. Por outro lado, caso a função que desenvolvera teve sucesso, não foi por capacidade, mas sim pelo fato de ter se dedicado de modo extremo, caso contrário teria fracassado.

- Procrastinação: pessoas com síndrome do impostor tendem a fazer exatamente ao contrário do item anterior. Ao serem colocadas para desempenhar alguma função, elas tendem a adiar cada vez mais a execução de tal projeto, como uma forma de se protegerem caso a função a ser desenvolvida não tenha sucesso, negando o fracasso a si mesmo e entendendo que caso quisesse obter sucesso em tal função poderia ter conseguido, mas preferiu procrastinar e adiar seu próprio desempenho.


Para que você possa compreender melhor sobre o quão presente a síndrome do impostor está na vida das pessoas, segue abaixo alguns relatos de pessoas do meio artístico ou pessoas influentes que são afetadas por essa síndrome e que não hesitaram em buscar apoio psicológico:


“A beleza da síndrome de impostor é você vacilar entre o ego extremo e uma sensação completa de: ‘Eu sou uma fraude! Oh Deus, eles estão em cima de mim! Eu sou uma fraude’. Então você apenas tenta desenvolver um pouco de ego para fortalecer-se e, em seguida, consegue lidar melhor com a ideia de fraude!” - Tina Fey, atriz e comediante, conhecida por seu trabalho no programa de TV Saturday Night Live.


“Há uma enorme quantidade de pessoas lá fora que pensam que eu sou uma especialista. Como é que estas pessoas acreditam em tudo isso sobre mim? Eu estou muito ciente de todas as coisas que eu não sei” - Dr. Chan, chefe da Organização Mundial da Saúde.


“Eu ainda acho que as pessoas vão descobrir que eu não sou realmente muito talentosa. Eu realmente não sou muito boa. É tudo uma grande farsa” - Michelle Pfeifer, atriz.


“Parece que, quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação, porque penso que em algum momento, alguém vai descobrir que sou uma fraude e que não mereço nada do que conquistei” - Emma Watson, atriz.


“Às vezes eu acordo de manhã antes de ir para uma gravação e penso ‘não posso fazer isso. Eu sou uma fraude!'”- Kate Winslet, atriz.


“Eu escrevi onze livros, mas cada vez que lançava um, pensava: ‘uh, eles vão descobrir a minha farsa agora'”- Maya Angelou, escritora e poetiza dos EUA.


Uma das formas mais aconselhadas para lidar com a síndrome do impostor é fazer acompanhamento psicológico, porém é possível adotar alguns novos comportamentos, evitando que se torne mais agravante, confira abaixo formas de lidar com os sintomas da síndrome do impostor:


  • Fortaleça sua autoestima, acredite mais nos elogios que receber e principalmente não se boicote quando seu desempenho for solicitado, tampouco se boicote quando obter sucesso através do seu desempenho. Acredite, todos nós possuimos qualidades e intelecto para desenvolver funções, todos nós possuímos talentos e dons, basta você acreditar!


  • Faça listas exaltando e reconhecendo seus pontos fortes, deixe esta lista visível para que você sempre lembre-se dos seus pontos fortes e consequemente passe a acreditar mais em si mesmo.


  • Esteja disposto a errar, não queira somente acertar e buscar perfeição em tudo. Entenda que a perfeição não existe, mas que é possível sim chegar bem próximo dela, porém mais importante do que ser perfeito, é ter feito! E uma das melhores formas de se aproximar da perfeição é através dos erros. Errar é permitir-se descobrir algo além.


E para finalizar, são diversos os comportamentos adotados por aqueles que sofrem da síndrome do impostor, são diversos os prejuízos psíquicos que são causados e como costumo sempre dizer, acompanhamento psicológico é indispensável em qualquer aspecto da nossa vida, afinal o melhor conhecimento que podemos adquirir, é o conhecimento sobre nós mesmos. 

Portanto um acompanhamento psicológico neste caso se torna indispensável, pois será possível compreender toda a dinâmica que levou o sujeito a adotar este comportamento e consequentemente desenvolver a síndrome do impostor, favorecendo de tal maneira a solução de conflitos anteriores e levando o paciente a adotar uma postura mais sólida e segura de si.


Psicóloga

Kallyna T. Gobbi Golgeli - CRP 06/128921